Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Em comemoração aos 4 anos da Rádio Claretiana FM,
foi realizado o I Concurso de Poesias. Foram recebidas
poesias de várias cidades do Brasil e as mesmas foram
julgadas pelos jurados:
-Odenir Ferro: escritor e poeta
-Prof. José Antônio Carlos David Chagas: professor, jornalista,
consultor em educação, cultura e comunicação social e especializado
em literaturas em língua portuguesa e educação
-Renato Tobaldini: gerente da franquia Livraria Siciliano em Rio Claro

1° lugar
Título: Olhando o Mar
Autora: Sonia Nogueira

Olhado as ondas em igual tortura
O pensamento pousa embevecida
No sonho mudo de eterna mistura
Contemplação outrora indefinida

A visão fixa acompanha o bailado
Do líquido ondulado que flutua
Num vai e vem em hino copulado
De letra e canção sonata e lua

O sol declina no ocaso indiscreto
Na ânsia incontida de perenizar
Ao menos o fito da lua enamorada
Platônico amor da sina ao ocultar

Do sonho pretérito, acobertado
Distando o coração campo exilado
Deserto de miragens sono e fado
Roçando o coração frágil cansado

Toda emoção envolta na penumbra
Dormita num suave pesadelo
Abrindo confissão em vão desaba
Lágrima e riso flutuam em duelo

O vento uiva na imensidão do ocaso
Na face, a brisa ativa sonho infantes
Sem validade vencida em curto prazo
De paixões que nunca foram amantes

À noite dormitando disfarçada
Murmura em oração qual romeiro
A voz no meu peito se amordaça
No tempo infiel trágico traiçoeiro


Sonia Nogueira

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

* O MELHOR LUGAR


*O Melhor Lugar*

É quando estou contigo ao luar
Nas noites de sonhares colorido
Mesmo que o Céu roube o estrelar
Meu sonho está de leve investido

No lar que faz da casa o segredo
Revela em cada canto uma emoção
Silêncio que emudece num enredo
No olhar do objeto em comunhão

A praça vento e som pernoitando
Na sinfonia evocação e saudade
O coração ritmado recordando

O tempo que deixa em cada ida
Rastro de penitência e confrade
Da volta que nunca foi preterida
***
SoniaNogueira

Sábado, Setembro 19, 2009

*GOTA A GOTA*

Cada Gota

*

Lembro daquela tarde na varanda

O vento rugia feito fera enjaulada

As nuvens unindo-se na tormenta

As gotas se libertando da placenta

*
Suave com chuviscos delicados

Numa radiação fraca disfarçada

No olhar inquieto fez-se morada

Sobre a janela, coração acelerado

*
Aos poucos cada gota sobre o teto

Acelerou num murmúrio vibrante

Transformou o sentimento gigante

Numa labareda canto, frio e pele

*
Gota a gota o sentimento aflorou

Na tempestade o amor enraizou

SoniaNogueira

*

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

*BRASIL DE CONTRASTES*

Brasil de Contrastes*
187 anos de Independência
*
Brasil, povo de todas as cores

Branco, negro, pardo, amarelo

Amamos-te por teus valores

Pela grandeza és rico e belo

Mesmo que as rusgas marquem

Estamos contigo em vantagem


Basta olhar tua tela viva e bela

A vegetação no verdor dos anos

A mão que te corta te revela

Uma nação de penhores danos

Rouba de ti a vida sem replante

Morre aterra fenece o gigante


Tanta beleza correndo nos leitos

Água em demasia te banha rindo

Mas a toalha que cobre teus feitos

Clama por limpeza filtro bem-vindo

O canto das aves de cantar sonoro

Escreva na letra piedade imploro


Independência ou morte foi o grito

Registro arquivado em alfarrábio

No desfile-festejo o povo contrito

Revela na lágrima um povo sábio

Em vão o progresso eleva a nação

Teus servos peitam na contramão


Sete de setembro lutas conquistas

Somos de ti Brasil cativos amantes

Teu sol parece mais claro as vistas

Mesmo com mazelas gritantes

És meu Brasil do gol, do sambista

Da terra fértil do amor conquista

SoniaNogueira




Sábado, Setembro 05, 2009

Essa Loucura


Essa Loucra
*
Essa loucura que certo nos engana
Posto no olhar que de longe é chama
Balanceia o corpo, a pele se proclama
Feito lavra derretida que se emana

Na terra dos sonhares e encantos
Entregue cada gesto em servidão
Centelha vai guindo a emoção
Sem freio e critérios tantos tantos

Não sei onde esconder a teimosia
De amar-te dia a dia no silêncio
A alma já cansada no ocioso
Desgasta sem roteiro a fantasia

Loucura é não saber como olvidar
Mais ainda iludir o verbo amar

Soniogueira

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

*AO MEU PAI*


*Ao Meu Pai*
............. / .\. \.....A-Aqui saudades guardadas

........... / . . \ ..\ ..O-O tempo nunca apagou

......... / . . . `\ ..\..M-Memória que se projetou

........ . . . . . . ..E-Em cada pedaço, adubadas

......... \ . . . ./ . ./.U-Uma raiz firmada que dura

........... `=(\ /.=.....P-Pai, em momentos de amor

............. `-;`.-.....A-Ainda conserva em verdor

................ _.-'..I-Imagem que tempo não cura.

............ ,_ \_,/..S-Sentado na velha calçada

........ , .... \........A-A tarde com o sol findo

...... \ \ ,. /......U-Um olhar que se vestindo

....,.\` /.,Y\,......D-Da árdua labuta alçada

.....'-...'-._..\/.....A-Aonde a paz e a pureza.

........ >_.-`Y........D-Davam ao corpo morada

.............. ,_......E-E como flor que perfuma

................ \.....S-Serve de canto e ternura

................. ......S-Sim, pai em Deus a pousada

***

SoniaNogueira *sogueira*

Sábado, Junho 06, 2009

*PASSAGEIRA DO TEMPO*

*Passageira do Tempo*

Debruço-me aqui na contemplação
Na janela do olhar pequena fresta
Que fotografa em minuciosa ação
O desfilar da vida a página deserta

Sopra o vento sem prever obstáculos
Chora a chuva sobre a cidade confusa
Na reprodução dos animais imáculos
Gira o Planeta sem propaganda difusa

Gorjeia a ave postada no ninho
Põe-se o sol sem sair do plano alinho
Multiplica-se o cantar som indefinido

Que ornamenta o luar adormido
Na vigília o beijo dos enamorados
Rendo-me a emoção do tempo alado
I
Rendo-me a emoção do tempo alado
E viajo na amplidão do pensamento
Confessando ao coração despojado
Que a vida passa, urge alinhamento

Dos passos que procuram outro abraço
Da nudez da alma oculta em desalento
Pudera eu roubar-lhe o sopro dar o laço
Apagar da tela o rabisco em vazamento

Desenhar no quadro a paz como lema
A plenitude do amor que a terra clama
Lavar todo planeta dizimar a falena

Sem perder da estrada a reta, o prumo
Não deixar apagar da vela a chama
Preservar o amor, alumiar o rumo
***
Poema selecionado para a Coletânea
Ecos Machadiano, verso e prosa
Bahia - Salvador
***
Sonia Nogueira *sogueira*